Filmes e séries

Pobreza e recessão dominam as telas no Festival de Veneza de 2013

Michael Roddy e Isla Binnie

30/08/2013 20h19

A pobreza e os efeitos do colapso econômico de 2008 sobre as pessoas e a sociedade são os temas dominantes da 70ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que começou na quarta-feira (28) e vai até o dia 7 de setembro.

É o caso de "Joe", drama gótico ambientado no sul dos EUA e exibido na sexta-feira, com Nicolas Cage no papel de um alcoólatra, como já havia sido em "Despedida em Las Vegas". Ou "Die Frau Des Polizisten" (A Mulher do Policial), sobre a violência doméstica.

A crise econômica influencia não só nas tramas mostradas. Na quarta-feira, o cineasta mexicano Alfoson Cuarón disse que a situação financeira dos estúdios quase inviabilizou seu "Gravidade", drama espacial de grande orçamento, que abriu o festival nesta semana.

Paul Schrader, roteirista de "Taxi Driver", "Touro Indomável" e outros sucessos dos anos 1970 e 80, disse em entrevista coletiva nesta sexta-feira que "o negócio cinematográfico está passando por uma mudança sistemática. Sistemática não, uma mudança sistêmica. Tudo o que sabemos do passado não se aplica mais", afirmou Schrader, que levou a Veneza seu "Canyons", com Lindsay Lohan.

Bebedeira e falta de higiente
Em "Joe", dirigido por David Gordon Green com base num romance homônimo de Larry Brown, Cage interpreta um homem do sul dos EUA, beberrão e esquentado, que fica amigo de um menino oriundo de um ambiente violento. A pobreza exala de cada cena, da detonada caminhonete que Joe dirige para apanhar os empregados negros que ele usa para limpar um campo, até os vizinhos dele, que moram em barracos e comem animais selvagens achados no acostamento da rodovia.

Cage elogiou a oportunidade de trabalhar com Green. "Para mim, era uma chance de voltar a uma profunda análise e construção de personagem", acrescentou o ator, que ganhou um Oscar em 1995 por "Despedida em Las Vegas". Naquele filme, em que ele interpretava um roteirista alcoólatra, ele se preparou se embebedando e vendo o resultado em vídeo. Em "Joe", ele e o garoto Tye Sheridan simularam a embriaguez girando até ficarem tontos.

Já "Die Frau Des Polizisten" mostra uma jovem família no interior alemão, cuja vida aparentemente pacata descamba para a violência. O diretor Philip Groening, do contemplativo "O Grande Silêncio", sobre monges cartuxos nos Alpes suíços, disse que os gatilhos emocionais e psicológicos da violência são o principal tema do longa, mas que a situação econômica também é vista. "Há também um aspecto de pobreza no filme", afirmou.

O filme de três horas, dividido em 59 capítulos, tem diálogos improvisados e mostra minúcias do cotidiano familiar. A violência está presente em algumas poucas cenas, mas é visível principalmente na degradação física da protagonista ao longo do filme, chegando ao ponto de negligenciar a higiene pessoal, o que é revelado numa observação cruelmente inocente da menina Clara: "Mamãe, você está fedendo".

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

do UOL
AFP
do UOL
Reuters
AFP
do UOL
Reuters
do UOL
Reuters
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
Chico Barney
UOL Cinema - Imagens
UOL Entretenimento
Cinema
do UOL
AFP
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Reuters
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
AFP
do UOL
Cinema
Roberto Sadovski
do UOL
do UOL
Chico Barney
UOL Cinema - Imagens
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Roberto Sadovski

Roberto Sadovski

As 25 melhores histórias em quadrinhos da Liga da Justiça

Pincelar as melhores histórias da Liga da Justiça é um trabalho complexo. Não pela falta de qualidade, mas pelo contraste: muita coisa entre os primórdios da equipe e o final dos anos 80 tem mais valor por sua inegável importância histórica do que por seus predicados artísticos. O gibi da Liga, afinal, viveu por anos na sombra da animação Superamigos, e isso deixou o tom das histórias mais ingênuo e infantil até a reformulação pós-Crise nas Infinitas Terras. Mas garimpar todas as fases em décadas de aventuras trouxe boas surpresas e ótimas descobertas - além do perceber que, em boas, mãos, a Liga pode ser incrível! A leitura rendeu algumas conclusões. Primeiro, não há absolutamente nada errado em usar histórias de super-heróis para fazer humor! Segundo, o horrendo período dos Novos 52, que privilegiou forma, ignorou substância e fez um flashback sinistro dos primórdios da Image Comics nos anos 90 (urgh), não foi tão cruel com a Liga. Terceiro, pouca gente escreve e entende os herói tão bem quanto Grant Morrisson e Mark Waid. No mais, a Liga da Justiça, em usas diversas encarnações, ainda é aposta certeira quando o assunto é entretenimento - afinal, só uma equipe criativa muito canhestra poderia melar uma mistura de personagens e personalidades e superpoderes tão diversa e tão bacana! Acredite, se os super-heróis mais lendários do mundo sobreviveram a Extreme Justice, nada é capaz de derrotá-los!

Cinema
Colunas - Flavio Ricco
do UOL
do UOL
Topo