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Aplaudido em Cannes, drama sobre luta coloca Carell na corrida pelo Oscar

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes (França)

19/05/2014 15h44

Conhecido pela série “The Office” e por filmes como “O Virgem de 40 Anos”, Steve Carell é hoje o rei da comédia, mas em 2015 tem toda a chance de ser indicado ao Oscar por seu primeiro grande papel dramático. Ele usa uma maquiagem pesada para viver um soturno milionário apaixonado por luta livre em “Foxcatcher”, drama bastante aplaudido em sua primeira sessão de imprensa em Cannes.

Carell vive John Du Pont, milionário que decide montar um centro de treinamento para lutadores em sua imensa propriedade na Pensilvânia e convidar para o projeto os irmãos Schultz, Mark (Channing Tatum) e Dave (Mark Ruffalo), medalhistas de vários campeonatos. Mais novo, Mark sempre viveu à sombra do talento do irmão. Casado e com filhos, Dave recusa a oferta mas Mark aceita, com o objetivo de conquistar a medalha de ouro nas Olimpíadas de Seul em 1988.

John e Mark tornam-se cada vez mais próximos, mas David decide juntar-se a eles, e a relação entre os três fica cada vez mais tensa. O filme de Bennet Miller, diretor de “Capote” e “O Homem que Mudou o Jogo”, é inspirado num fato real: esquizofrênico, John matou Dave em 1997, morrendo na prisão dez anos depois.

“Foxcatcher” tem ótimas cenas de luta livre, mas é construído como um lento e denso drama. O resultado é um conto moral sobre a busca obsessiva pelo sucesso na cultura americana, e o quanto essa cultura não suporta lidar com a ideia de fracasso. Há uma certa influência do “Taxi Driver” de Martin Scorsese no tom trágico que Miller vai tecendo aos poucos.

“Lembro que chamei Steve pra almoçar e perguntei a ele se conseguia imaginar a vida de uma pessoa sem nenhum senso de humor”, contou o diretor. “Para mim, na verdade, esse trabalho não teve um approach diferente das comédias. Os personagens nunca sabem se eles estão dentro de uma comédia ou de um drama. Encaro o filme apenas como uma história com um personagem nela”, disse Carell.

Channing Tatum e Mark Ruffalo fizeram treinamento intensivo de luta livre. “Claro, machucamos orelhas e joelhos no processo”, contou o primeiro. Tatum teve o acompanhamento do verdadeiro Mark Schultz nas filmagens. “Às vezes eu era grato por ele estar lá, às vezes ficava aterrorizado. É estranho rodar uma cena e depois ver a pessoa que você está interpretando bem ao lado da câmera”, contou. “Há uma tragédia grega nisso tudo. O que acontece quando o talento está à venda? O que acontece com um sistema quando todos os seus valores têm um preço? O filmes pode trazer essa discussão”, disse Ruffalo.

“Foxcatcher” estreia em novembro nos EUA, a tempo de concorrer às indicações do Oscar, e ainda não tem previsão de estreia no Brasil.