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Após "Tropa de Elite", Padilha diz ter sentido falta de traficantes e policiais corruptos ao filmar "RoboCop"

Natalia Engler e Estefani Medeiros

Do UOL, em San Diego (EUA)

19/07/2013 19h30

Durante coletiva nesta sexta-feira (19) na Comic-Con, o diretor brasileiro José Padilha brincou sobre como foi filmar sua adaptação cinematográfica para a história de RoboCop. O carioca afirmou ter feito o filme da mesma maneira que faz no Brasil, mas percebeu que algo estava faltando.

"Só senti falta dos traficantes e dos policiais corruptos ao redor, mas acho que isso era porque estávamos no Canadá", disse aos risos o diretor de "Tropa de Elite" e "Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro".

Mais tarde, durante o painel sobre o filme, dois vídeo sobre a produção foram divulgados. O primeiro deles mostrava o ator Samuel L. Jackson fazendo uma apresentação da Omnicorp, mostrando máquinas de guerra atuando em cidades islâmicas. Vários robôs assustavam pessoas e, na confusão, uma criança termina metralhada. Jackson então passa a discutir sobre como máquinas devem ser tratadas como descontroladas, mesmo com a inteligência artificial em potencial.

Já no segundo vídeo, o ator Joel Kinnaman mostra a origem do RoboCop: um homem de família se despede de seus entes queridos e, ao entrar em um carro que explode, fica com 70% de seu corpo queimado. A partir daí, as próteses do robô são montadas. Com uma tela touchscreen, o personagem escolhe as armaduras. O traje clássico, de 1987, é exibido, mas Alex Murphy quer algo novo. No final das cenas exibidas, a mulher tenta impedir RoboCop de permanecer como soldado.

Análise de Padilha

"Queria fazer RoboCop perfeito, do jeito que era. Queríamos mostrar uma sociedade em que robôs convivem com humanos", disse o diretor ao descrever o seu desejo com o longa. "É um filme com ação, mas é um filme que diz algo, que fala sobre o exército, mostra o futuro. Você encontra muita ironia também, se um policial atira em uma criança você pode julgá-lo, mas e se for em uma máquina?"

Para o cineasta, "fazer um filme é sempre fazer um filme, não importa onde, não importa o tamanho e o orçamento". "É sempre uma questão de dirigir os atores, de colocar a câmera no lugar certo", contou.

O filme propõe uma discussão de até que ponto o soldado é um homem e até que ponto ele é controlado pela máquina. O filme também traz as relações com a família e filhos propostas na primeira versão do filme. A cena de transformação de um homem em um soldado também se assemelha a vivida pelo ator Peter Weller.

Padilha também esboçou uma análise sobre o primeiro filme original do policial ciborgue, dizendo que continha humor e também uma crítica ao fascismo. "A relação entre fascismo e robótica vai ser muito mais forte desta vez. Se você tem robôs lutando em guerras, não existe uma pressão para retirar as tropas e acabar com o conflito, como aconteceu no Iraque. Essa é uma questão que já foi aberta pelo uso de drones. Se temos robôs agindo e ninguém está vendo o que eles estão fazendo, não se pode atribuir responsabilidade, não temos a pessoa que apertava o botão para liberar a bomba."

"Mais tempo com Alex Murphy"
Também presente no evento, o ator Joel Kinnaman, que interpreta o personagem-título, discorreu sobre as mudanças do filme de Padilha em relação aos outros já feitos sobre o personagem.

"Desta vez, vamos mais fundo com Alex Murphy [nome do herói antes de virar RoboCop], passamos mais tempo com ele quando está trabalhando como policial disfarçado e quando está com sua família", disse o ator. "A questão agora é: ele é uma propriedade? Ele depende desta corporação que o criou e isso fez dele muito forte, mas também muito vulnerável."

Kinnaman admitiu ter visto o primeiro filme com o "policial do futuro" "umas 30 vezes, muito antes de conseguir o papel". "Eu já tirava de letra o andar robótico. Mas quando coloquei a armadura, senti que a ideia do que seria a robótica no futuro dos anos 1970 era muito diferente da atual"

Também participaram da coletiva os atores Abbie Cornish, Samuel L. Jackson e Michael Keaton, que também têm papeis no filme. Atualmente, a adaptação cinematográfica de Padilha está em fase de pós-produção e está prevista para estrear no Brasil em fevereiro de 2014.

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