Cinema

Entenda por que filmes importantes ainda não foram exibidos no Brasil

Chico Fireman

Do UOL, em São Paulo

Pelo segundo ano consecutivo, o filme que vence a Palma de Ouro em Cannes, o mais importante festival de cinema do mundo, vai ser lançado diretamente no circuito comercial brasileiro, sem passar pela exposição dos maiores eventos cinematográficos do país. Polêmico por causa de suas cenas de sexo, “Azul é a Cor Mais Quente”, de Abdellatif Kechiche, foi comprado pela Imovision e tem estreia programada para o dia 6 de dezembro.

Apesar do interesse tanto do Festival do Rio quanto da Mostra de Cinema de São Paulo em exibir o longa, a distribuidora resolveu adotar outra estratégia para apresentar o filme no país. Segundo Jean Thomas Bernadini, proprietário da Imovision, o elenco de “Azul é a Cor Mais Quente” teria pedido para estar presente no lançamento do filme no Brasil, mas só estaria disponível a partir do fim de novembro, o que inviabilizaria a participação do longa nos dois festivais. “A mesma coisa para o elenco de ‘Gloria’ (filme chileno que ganhou o prêmio de melhor atriz em Berlim e que também será lançado pela Imovision) que só poderia vir em dezembro”, explica.

Além do vencedor de Cannes e de “Gloria”, outros filmes importantes do ano não foram exibidos nas últimas edições dos grandes festivais brasileiros, como “12 Years a Slave”, de Steve McQueen (de “Shame”), favorito ao Oscar 2014; “A Pele de Vênus”, último filme de Roman Polanski (“O Pianista”); “O Passado”, do iraniano Ashgar Farhadi (“A Separação”); “Philomena”, de Stephen Frears (“Ligações Perigosas”); “Jimmy P.”, de Arnaud Desplechin (“Reis e Rainha”); e “Dallas Buyers Club”, de Jean-Marc Vallée (“C.R.A.Z.Y.”), entre outros.

No ano passado, a Imovision também optou por não exibir “Amor”, filme de Michael Haneke que também ganhou a Palma de Ouro em Cannes, nem na Mostra, nem no Festival do Rio. De acordo com Bernadini, a decisão foi “para não correr o risco de magoar um de nossos parceiros, sejam do Rio ou de São Paulo, tendo em visto o ‘grandíssimo’ interesse dos dois festivais em apresentar ‘Amor’”. A possibilidade de mágoa se refere à regra de exclusividade que a Mostra adotou há três anos.

Renata de Almeida, que dirige sozinha a Mostra há dois anos, desde a morte do marido, Leon Cakoff, mantém a regra que o criador do evento estabeleceu: nenhum filme estrangeiro exibido em outro festival brasileiro pode fazer parte da programação do evento. Desde então, as produtoras internacionais e as distribuidoras brasileiras precisam escolher em que festival seu filme passa. Ou se não passa em nenhum deles. Para as distribuidoras, estes eventos se tornam grandes vitrines para os filmes, então, o ideal é manter relações cordiais com ambos os festivais.

“O fato de não ceder um filme tal para nenhum dos dois festivais contribui para demonstrar a nossa neutralidade. Afinal, somos parceiros dos dois festivais há muito anos”, explica o dono da Imovision, que escolheu a Mostra para exibir o romeno “Child’s Pose”, que deverá ser lançado nos cinemas brasileiros como “Instinto Materno”, em janeiro do ano que vem.

Ilda Santiago, diretora executiva do Festival do Rio, acredita que a regra do ineditismo prejudica os espectadores das duas cidades. “Cada festival deve buscar sua identidade a partir de um exercício de curadoria. Mas definitivamente lamento que não existam filmes em comum entre os dois festivais. O Festival do Rio não se prejudicou com a decisão de ineditismo que a Mostra arbitrariamente impôs, mas certamente o público das duas cidades perdeu muito em riqueza e possibilidade de ver alguns filmes”, afirma.

Nesta edição, o Festival do Rio exibiu os novos filmes de alguns habitués da Mostra, como Johnnie To (“Blind Detective”) e Alexander Payne (“Nebraska”). Já a Mostra conseguiu títulos de diretores importantes, como o último trabalho de Hayao Miyazaki (“The Wind Rises”), além de filmes de Tsai Ming-Liang (“Cães Errantes”) e Jia Zhang-ke (“Um Toque de Pecado”). Nenhum deles pode ser apresentado ao espectador carioca.  Até pouco tempo, alguns filmes encontravam espaço nos dois festivais, caso de “O Mundo”, do mesmo Zhang-ke, ou de “Espelho Mágico”, de Manoel de Oliveira.

Para os espectadores de São Paulo, uma luz no fim do túnel foi anunciada esta semana pelo Cinesesc. O cinema paulistano organizou uma mostra com alguns dos destaques do festival carioca para meados de novembro. Já os cinéfilos do Rio terão que esperar que as distribuidoras lancem os filmes exibidos na Mostra em circuito caso queiram vê-los no cinema.

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