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Seis mulheres acusam diretor de "A Hora do Rush" e "X-Men 3" de assédio

Jerod Harris/Getty Images For vitaminwater
As atrizes Selena Gomez, Ashley Benson e Vanessa Hudgens (da esq. para dir.) abraçam o diretor Brett Ratner durante um jantar do filme "Spring Breakers", em 2012 Imagem: Jerod Harris/Getty Images For vitaminwater

Do UOL, em São Paulo

2017-11-01T11:36:24

01/11/2017 11h36

Depois que os casos envolvendo o produtor Harvey Weinstein abriram as comportas, as acusações de assédio sexual contra homens poderosos de Hollywood parecem não ter mais fim.

Desta vez, o acusado é Brett Ratner, diretor da série "A Hora do Rush" e de "X-Men: O Confronto Final", de clipes de Madonna e Mariah Carey, e produtor de filmes como "O Regresso". Ratner também está escalado para dirigir a cinebiografia do controverso fundador da revista "Playboy", Hugh Hefner.

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Seis mulheres o acusam de as ter assediado ou abusado, entre elas Natasha Henstridge ("A Experiência"), que contou ao jornal Los Angeles Times que Ratner, 48, forçou-a a fazer sexo oral nele em seu apartamento em Nova York, nos anos 1990, quando ela ainda era uma modelo de 19 anos tentando a carreira artística.

Durante um encontro de amigos no local, Henstridge pegou no sono enquanto assistiam um filme e se viu sozinha quando acordou. "Ele me imobilizou de verdade. Se forçou fisicamente contra mim. Em algum momento, eu desisti e ele fez o que queria fazer", contou.

Katherine Towne ("Revelação"), descreveu um incidente em uma festa em 2005 quando o cineasta tentou seduzi-la de forma agressiva e chegou a segui-la até o banheiro. Segundo ela, um assistente dele tentou contatá-la durante meses para marcar um encontro.

Olivia Munn ("X-Men: Apocalipse") já havia revelado que teve várias interações desagradáveis com Ratner, incluindo uma ocasião durante as filmagens de "Ladrão de Diamantes", em 2004, em que ela foi levar comida até o trailer do cineasta e ele surpreendeu-a saindo do banheiro sem calças, e se masturbando "furiosamente".

Munn conta que deu um grito e saiu correndo do trailer. Ela imediatamente foi contar o que havia acontecido ao homem que havia pedido para que levasse a comida. A reação? "Não foi choque. Não foi surpresa. Foi apenas: 'Ah, desculpa por isso'".

Em 2011 Munn também teve um embate com Ratner quando ele revelou publicamente que os dois tinham tido um caso, o que ela desmentiu. Ratner depois pediu desculpas pela declaração. "Parece que eu continuo me batendo contra o mesmo bully da escola, que não desiste", afirmou.

As atrizes Eri Sasaki e Jorina King também relataram investidas sexuais de Ratner quando trabalhavam como figurantes em "A Hora do Rush 2", em 2001. Em ambos os casos, o diretor as convidou para entrar em um banheiro com ele em troca de lhes dar uma fala no filme e ajudá-las a se tornarem estrelas. 

Já Jamie Ray Newman conta que sentou ao lado de Ratner em voo, ainda no início de sua carreira, e ele passou a descrever os atos sexuais que gostaria de realizar com ela.

Ao jornal, o advogado do cineasta negou as acusações, afirmando que em 20 anos nenhuma mulher jamais havia feito alegações sobre condutas sexuais inadequadas de seu cliente e que nenhuma mulher havia pedido ou recebido compensações financeiras por essa razão.

Segredo de Hollywood

Ratner se soma a vários outros nomes poderosos que vêm sendo alvos de acusações desde que uma reportagem publicada pelo "The New York Times" no início de outubro revelou que Harvey Weinstein assediou mulheres durante décadas. Dias depois, a revista "New Yorker" publicou sua própria reportagem sobre o tema -- dessa vez, com acusações de estupro.

Com o passar dos dias, o número de denúncias explodiu. Nomes de peso da indústria, como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Mira Sorvino e Rosanna Arquette também acusaram o produtor. Weinstein, que ao lado do irmão Bob construiu uma fábrica de sucessos de bilheteria, com 80 premiações do Oscar e mais de 300 indicações, deixou o seu cargo na empresa que fundou e foi expulso do Sindicato dos Produtores e da Academia.

A repercussão do caso fez com que várias outras famosas relatassem suas experiências: Reese Whiterspoon, por exemplo, contou que foi abusada por um diretor quando tinha apenas 16 anos, e Jennifer Lawrence revelou que foi colocada nua em uma fila com outras atrizes e chamada de "comível" por um produtor.

No último domingo, 38 mulheres denunciaram o cineasta James Toback, indicado ao Oscar pelo filme "Bugsy", em uma reportagem do jornal "Los Angeles Times". Depois da publicação, o número de acusações já subiu para cerca de 300.

O ator Kevin Spacey foi o mais recente acusado, depois que o ator Anthony Rapp, da série "Star Trek: Discovery", revelou que Spacey tentou forçá-lo a fazer sexo quando tinha 14 anos. O ator mexicano Roberto Cavazos também relatou em suas redes sociais que foi alvo de investidas sexuais de Spacey quando trabalharam juntos no teatro Old Vic, em Londres, no começo dos anos 2010.