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Excesso de expectativa prejudica "The Immigrant", com Joaquin Phoenix

Thiago Stivaletti

Do UOL, em Cannes (França)

24/05/2013 07h03

Cannes ajuda muito a divulgar a maioria dos filmes, mas também pode atrapalhar outros. Como a competição decepcionou bastante até agora, havia muita expectativa em torno de “The Immigrant”, o novo filme do americano James Gray (“Amantes”, “Os Donos da Noite”). Boa parte da imprensa saiu decepcionada da sessão na manhã desta sexta. É um filme lindo, sensível e muito bem dirigido, mas que deve sofrer com esse excesso de expectativa na reta final do festival.

“The Immigrant” é a história de Ewa (Marion Cotillard, de “Piaf”), imigrante polonesa que desembarca em Nova York em 1921. Sua irmã é detida por estar com tuberculose, e ela só consegue entrar nos EUA com a ajuda de um estranho, Bruno (Joaquin Phoenix). Claro, Bruno não vai ajudá-la por nada. Mantém um negócio de exploração sexual de mulheres e quer incluir Ewa no esquema. Mas também se apaixona por ela e passa a tratá-la de forma diferente. As coisas se complicam quando seu primo, o mágico Orlando (Jeremy Renner, de “Os Vingadores” e “Guerra ao Terror”), também se apaixona por ela, despertando o ciúme furioso de Bruno.

Conhecido por seu temperamento difícil com a imprensa, Joaquin Phoenix nem mesmo deu as caras em Cannes. “Acreditem, Joaquin queria muito vir. Mas neste momento ele está rodando o novo filme de Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)”, disse o diretor.

Pão na cara
Cotillard passou uma saia justa ao chegar para a sessão de fotos do filme. Um cisco entrou em seu olho e ela teve que abandonar os holofotes às pressas. Seu maior desafio em “The Immigrant” foi aprender o polonês. “É uma língua bem complicada de aprender. Eu tinha 20 páginas de roteiro em polonês e apenas duas palavras que eu entendia”, contou a atriz, que usou um professor para ajudá-la.

Gray brincou ao contar como escolheu a atriz para o papel. “Estávamos jantando e Marion jogou um pão na minha cara quando eu disse que não gostava de certo ator. A expressão no rosto dela era incrível”, disse.

O diretor fez uma defesa do imigrante nos EUA nos dias de hoje. “A imigração mantém um país vital, interessante, flexível. Se você pega as várias ondas de imigrantes desde 1840, irlandeses ou italianos, as mesmas coisas era ditas contra eles: são sujos, burros, preguiçosos. E provaram que vieram para ficar. Quando vejo as mesmas palavras usadas para os latinos hoje, gostaria de lembrar que este é o mesmo argumento usado há mais de cem anos”, defendeu.

Gray se inspirou em filmes como “O Poderoso Chefão 2” e “O Portal do Paraíso” para construir o visual do filme. “Eu busquei algo como uma ópera, com emoções grandiosas. Queria a sinceridade das emoções. Kubrick dizia que queria fazer filmes mais ousados e mais sinceros. Quero fazer filmes tão sinceros, sem ironia, que se tornem ousados”, explicou.

Se não cair nas graças do júri de Steven Spielberg para a Palma de Ouro, “The Immigrant” bem mereceria um prêmio de ator para Joaquin Phoenix ou de atriz para Cotillard.

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